- O cara.
- Hmmrmm.
- Acorda ai.
- Blãã.
- Acorda ai seu vagabundo!
- Não enche o saco cara.
- Mas hein!?
Senti uma paulada nas costas, mais especificamente entre as costelas, com um pedaço de pau. Levantei me contorcendo e xingando o guarda que me acordava, olhei-o nos olhos e falei:
- Seu guarda eu não sou vagabundo, eu não sou delinqüente, eu dormi na praça, pensado nela.
Levei uma paulada na cabeça, o guarda municipal falou.
- Teje preso vagabundo!
- Mas hein!? O quê eu fiz?
- Cantou Reginaldo Rossi.
- E o que é que tem?
- Tem que eu não gosto de Reginaldo Rossi.
Fui carregado para dentro de um fusca com um adesivo de "policia municipal", com uma puta dor de cabeça. No caminho o guarda começou a escutar Rocky Horror Picture Show, do Meatloaf, balançando a cabeça pra cima e pra baixo. Chegamos em um galpão em uma área isolada, me carregou lá para dentro, no seu interior várias pessoas o esperavam, quando entramos fomos recebidos com "viva" "oba" assobios e palmas, todos vestidos com túnicas pretas e usando correntes grossas de prata, em cima de um altar de sacrifícios havia uma cabeça de bode pregada na parede, o guarda me acorrentou no altar. Ai eu falei:
- Que porra é essa? Isso aqui não é a delegacia.
- Claro que não.
Falou o guarda que agora retirava equipamentos de cirurgia de uma maleta.
- Mas o quê é isso?
- É um ritual.
As outras pessoas vestidas de túnica preta se aproximaram cantando em uma língua estranha, parecida com latim. O guarda enfiou o bisturi na minha barriga, chorei de dor. Ele falou
- Agora eu tiro o teu intestino.
Fechei os olhos e encomendei minha alma ao criador. Nesse instante todas as pessoas vestidas de preto retiraram suas túnicas e gritaram. "Surpresa!"
- Mas hein!?
- Festa surpresa! Feliz aniversário!
- Filhosdaputa sacanas!
- Hahaha, valeu a pena eu comprar esse kit de cirurgia na internet, falou um de meus amigos.
- É valeu a pena eu comprar esse galpão, falou outro.
Todos deram risadas enquanto de uma ambulância que esperava escondida atrás do galpão saíram três enfermeiros preparados para tratar do meu ferimento. enquanto eu era medicado todos cantarolavam o "parabéns pra você" com serpentinas e confetes voando pelo ar.
- Putz, mas como isso?
Perguntei.
- Tudo começou há alguns meses combinamos de te embebedar antes do dia do seu aniversário e te deixarmos jogado na praça.
- Depois contratamos este ator para se passar por guarda municipal.
Continuou animado meu outro amigo.
- E fizeram essa festa! Você precisava ver a sua cara de surpreso, hahaha.
Levantei do altar e falei:
- Filhosdaputasacanas, nem é meu aniversário.